
FERNANDO EICHENBERG/ REVISTA PIAUÍ
PARIS/PLOURHAN – Na tarde de 17 de dezembro de 1996, a Biblioteca Nacional da França (BnF) havia preparado com zelo a cerimônia de abertura ao público de seu novo espaço de 7,5 hectares no bairro Tolbiac, em Paris. O ambicioso projeto fora anunciado em 1988 pelo presidente socialista François Mitterrand, exaltado como a “maior e mais moderna biblioteca do mundo”, recorrendo às “tecnologias mais avançadas de transmissão de dados”. Mitterrand conseguiu inaugurar oficialmente o local, sem os livros e documentos, em março de 1995, no apagar das luzes de seu segundo mandato. Coube a seu sucessor e rival, o conservador recém-eleito Jacques Chirac, abrir com pompa presidencial as portas da edificação de linhas puristas, de quatro torres de vidro, projetada à beira do rio Sena pelo arquiteto francês Dominique Perrault.
Na visita de praxe acompanhada pela imprensa, Chirac, em pé diante de um computador, acompanhava atentamente uma demonstração sobre as funcionalidades da internet na biblioteca quando interrompeu seu interlocutor: “Mouse? O que é mouse?”. A sequência, exibida no telejornal das 20h do canal France 2, viralizou segundo os meios da época e inspirou um sketch do então célebre programa humorístico de marionetes “Les Guignols de l’Info”, do Canal Plus. A gafe perdurou por anos com diferentes enredos, e a pecha de ignorante do mundo da informática perseguiu Chirac até o final de sua vida. Sua ex-conselheira para o fomento da internet confessou certa vez: “Ele ficou completamente traumatizado pelo affaire do mouse”.
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