
FERNANDO EICHENBERG – REVISTA ELA/O GLOBO
PARIS – Em 16 de janeiro de 1941, o artista francês Henri Matisse, sofrendo de um câncer do cólon, foi operado de urgência na clínica do Parc, na cidade de Lyon. Pós-cirurgia, sobreviveu a uma embolia pulmonar. Após ter “escapado da morte por um fio”, como ele mesmo confessou, os médicos lhe deram uma previsão de seis meses de vida. Aos 72 anos, obrigado a permanecer boa parte do tempo acamado, locomover-se em cadeira de rodas e usar um colete de ferro que lhe permitia ficar em pé por não mais do que uma hora, o diagnóstico para o futuro de sua criação artística não era dos mais otimistas. Mas foi exatamente o contrário que se passou. Após um período de convalescência recluso em seu quarto no Hotel Regina, em Nice, Matisse, classificado pelo nazismo em ascensão como “artista degenerado”, renasceu artisticamente. “Eu havia me preparado tanto para a minha partida desta vida, que parece-me estar vivendo uma segunda vida”, confidenciou em uma carta a seu amigo pintor Albert Marquet, em janeiro de 1942, um ano após sua operação.
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