Entrevistei Charles Aznavour às vésperas de sua viagem ao Brasil, em 2008, em meios aos shows de sua turnê comemoratriva dos 75 anos. Ele me recebeu na sede da editora de músicas Raoul Breton, no 67 bulevar de Courcelles, em Paris, simpático, brincalhão, e sempre dedicado à sua paixão maior, a canção.
PARIS – O mundo vive um clima de fatalismo no limiar de uma nova era da modernidade, marcada por uma profunda crise da democracia eleitoral representativa, que já não supre as aspirações emancipatórias dos cidadãos. O desencanto democrático estimula o crescimento dos populismos, principalmente na Europa. Neste período de transição, emergem, cada vez mais, líderes políticos híbridos, na ideologia e na ação. Esse é o diagnóstico traçado por Pierre Rosanvallon, especialista em História Moderna e Contemporânea do Collège de France e fundador do grupo de reflexão República das Ideias, em seu mais recente ensaio publicado na França, “Nossa história intelectual e política (1968-2018)”. Rosanvallon conversou com O GLOBO sobre o “preocupante desmoronamento democrático” nas sociedades contemporâneas em sua sala no Collège de France, em Paris. Continue lendo Pierre Rosanvallon: “Os cidadãos desejam ser ouvidos além das campanhas eleitorais”→
Entrevistei o pensador Paul Virilio, filósofo e urbanista, no ano de 2000, numa longa e agradável conversa em um de seus bares preferidos de Paris. Há alguns anos, telefonei para sua casa, na cidade de La Rochelle, na costa atlântica do sudoeste da França, solicitando um novo encontro. Ele foi, como sempre, muito simpático, mas recusou meu pedido, argumentando que estava atravessando um delicado período de saúde e que sua recuperação seria bastante longa. Mas não me desencorajou de todo, e disse que tentasse novamente em um ano.
Neste 18 de setembro, foi anunciada sua morte. Paul Virilio faleceu no dia 10, vítima de um ataque cardíaco. Segundo seu desejo, os funerais ocorreram na intimidade familiar, no dia 17, e o falecimento divulgado um dia depois. De acordo com sua filha, Sophie Virilio, ele estava preparando mais um ensaio e uma nova exposição.
Em homenagem, reproduzo aqui um trecho de nossa entrevista, feita na época para a hoje extinta revista República, e depois publicada na íntegra no primeiro volume do meu livro “Entre Aspas”. Continue lendo RIP Paul Virilio (1932-2018)→
PARIS – Em sua infância no Rio de Janeiro, a pequena Elizabeth costumava desenhar em detalhes as mechas dos cabelos do imperador Napoleão, copiadas de um livro de histórias. Já em sua pré-adolescência, passava noites em claro empolgada em fazer desenhos livres, de escassos traços. Sua mãe enxergou na filha um talento promissor, mostrou suas criações para o pintor Iberê Camargo, vizinho e amigo da família, e a jovem precoce entrou para a escola de artes de Frank Schaeffer. Suas obras da idade adulta, no entanto, não são exibidas em exposições e museus. Hoje, é ela própria quem projeta museus e tantas outras edificações de formas inovadoras pelos quatro cantos do mundo. Elizabeth de Portzamparc se tornou uma arquiteta de renome internacional, uma das poucas mulheres a se destacar em um meio ainda predominantemente masculino. Continue lendo Elizabeth de Portzamparc: “Não sou arquiteta. Sou um ser humano, mulher, que pratica arquitetura, urbanismo, fotografia, design, desenho”→
FERNANDO EICHENBERG / PARIS – Para marcar os 40 anos de Maio de 1968, há uma década, o diretor de documentários Simon Brook realizou um filme sustentado no testemunho de pessoas que vivenciaram as mutações dos anos 1960, intitulado “Gerações 68”. Sua lista de personagens é bastante significativa e eclética: além do próprio pai, Peter Brook, foram ouvidos Milos Forman, Dennis Hopper, Vaclav Havel, William Klein, Mary Quant, Jean-Claude Carrière, Georges Wolinski, Ed Ruscha, Annie Nightingale, e Jean-François Bizot. Continue lendo Milos Forman e Milan Kundera na Primavera de Praga do ano de 1968→
Miroslav Novak: “‘O país, que antes resistia, se acomodou. A partir de 1972, tornou-se um dos mais opressivos da Europa, um dos mais duros. Foi traumático. As pessoas que resistiam pacificamente em 1968, se resignaram”. @ Josef Koudelka/Magnum
FERNANDO EICHENBERG / O GLOBO
PARIS – Há 50 anos, às 23h de 20 de agosto de 1968, tanques da União Soviética e de mais quatro países do Pacto de Varsóvia cruzaram a fronteira da então Tchecoslováquia para reprimir a onda de liberalização conhecida como Primavera de Praga. Desde janeiro, quando Alexander Dubcek assumiu o comando do Partido Comunista, o país vivenciou um clamor por reformas econômicas e maiores liberdades sociais e individuais, propaladas como um “socialismo de rosto humano”. A invasão soviética enterrou o sonho de uma sociedade comunista democrática e acabou com as ambições imediatas de maior autonomia em relação à Moscou. Em 1989, a chamada Revolução de Veludo pôs fim ao domínio do PC e, em 1993, tchecos e eslovacos desfizeram a federação, formando países separados. No entanto, para o tcheco Miroslav Novak, do Instituto de Estudos Políticos Cevro, que em breve lançará o ensaio “Primavera de Praga 1968: uma revolução interrompida?”, as marcas desses acontecimentos continuam presentes na mentalidade dos dois países. Continue lendo Primavera de Praga: conformismo foi a pior herança da invasão soviética, diz cientista político tcheco→
PARIS — As imigrações do passado se transformam cada vez mais em diásporas do presente. Para sair da crise atual, a Europa deverá repensar sua coexistência com o estrangeiro e levar em conta as formas de mobilidade contemporâneas. A negação da alteridade estimula os conflitos, e a laicidade francesa é incapaz, hoje, de gerir uma convivência pacífica dos monoteísmos. As opiniões são de Tobie Nathan, um dos herdeiros de Georges Devereux (1908-1985), considerado fundador da etnopsiquiatria, prática que combina a psicologia clínica com a antropologia cultural. Continue lendo Tobie Nathan: “Não há mais imigrações de ruptura”→
PARIS – Em março de 2017, Alexandre Giquello, da casa de leilões francesa Binoche et Giquello, às voltas com o difícil descarregamento de um enorme crânio de um dinossauro tricerátops, telefonou na Itália para seu colaborador Iacopo Briano, conselheiro em peças de História Natural: “Seria ótimo se você conseguisse um fóssil de dinossauro não muito grande, um que entre na sala de um apartamento parisiense“, disse, em tom de brincadeira. Três meses depois, o consultor italiano recebeu a notícia de um cliente que dizia possuir para venda o esqueleto de um alossauro de 3,8 metros de comprimento, acompanhado de um outro maior, um diplodoco, de 12 metros. “Liguei de volta, e anunciei: “Alexandre, encontrei o dinossauro ‘living room size’“, conta Briano, rindo. Continue lendo Esqueletos de dinossauros viram atração em leilões milionários→
PARIS – Na manhã da véspera da grande final do Mundial de 1998 entre a França de Zinedine Zidane, a anfitriã, e o Brasil de Ronaldo Fenômeno, o temido visitante, na caminhada após o ritual do “despertar muscular”, os quatro defensores dos Bleus, Marcel Desailly, Franck Leboeuf, Bixente Lizarazu e Lilian Thuram, se reuniram à parte para conversar sobre a partida.
– Tentávamos permanecer o mais tranquilo possível e brincar – relembra Thuram. – Quando não se tem muita experiência, na ansiedade se acaba jogando toda a partida um dia antes, algo que não se deve fazer. Então, resolvemos relaxar. Nos dizíamos como faríamos para marcar Ronaldo. Como Franck Leboeuf (que substituía o titular Laurent Blanc, suspenso) ia jogar a final, falamos para ele: “De qualquer maneira, veja só, Ronaldo faz jogo de pernas à direita, à esquerda, e, de repente, a bola desaparece!” (risos). Ele era um mágico, o melhor jogador do mundo, e o mais perigoso da equipe do Brasil. Continue lendo Jogadores franceses campeões do mundo relembram final da Copa de 98 contra o Brasil→
PARIS – Em 21 de junho de 1986, Michel Platini, então célebre capitão da seleção francesa e craque da Juventus de Turim, comemorou seu aniversário de 31 anos de forma inusitada. A festa vespertina foi organizada em plena Copa do Mundo, no hotel da concentração da equipe nacional, à beira do Lago Chapala, no México. O chef confeiteiro da delegação havia se esmerado durante horas na preparação de um enorme bolo no formato de um campo de futebol, que nem teve tempo de ser degustado, pois, em clima de comédia pastelão, acabou em poucos minutos lambuzado no rosto e nos cabelos dos jogadores. O ambiente era de júbilo. Poucas horas antes, Platini e seus fiéis companheiros haviam eliminado o Brasil nas quartas de final do Mundial do México, num jogo que entrou para a história da competição. Continue lendo Jogadores franceses relembram vitória sobre o Brasil na Copa de 1986→
PARIS – Quando desembarcou na França como exilado político, em 1985, fugindo da guerra em seu país, o jovem afegão Atiq Rahimi, então com 23 anos, não imaginava que um dia se tornaria escritor, nem que escreveria livros em francês, e tampouco que receberia o mais prestigiado prêmio literário da França, o Goncourt. Além de autor traduzido em vários países, Rahimi também é cineasta – seu filme “Terra e cinzas” foi premiado na mostra “Um certo olhar” do Festival de Cinema de Cannes -, e se aventura pela fotografia e o desenho. Continue lendo Escritor Atiq Rahimi conta em livro sua experiência do exílio→
PARIS – O presidente francês Emmanuel Macron se elegeu em 2017 como um ardente defensor da Europa, arauto de um ambicioso projeto de reformas nas políticas e instituições do continente. Após um ano no poder, no entanto, sua declarada pretensão de comandar uma refundação daUnião Europeia (UE) teima em conquistar adeptos, deixando-o na desconfortável situação de um solitário líder em meio à oposição de correntes nacionalistas, à desconfiança de eurocéticos e, principalmente, à resistência da Alemanha em endossar mudanças na zona euro. Hoje, um de seus principais aliados para motivar a reaproximação dos membros da UE seriam os Estados Unidos, por conta das importantes divergências geopolíticas e comerciais europeias com o presidente Donald Trump, cada vez menos inclinado ao diálogo transatlântico. Continue lendo Macron: um líder europeu à procura de liderados→
PARIS – O assunto das conversas no centro de alojamento para trabalhadores migrantes do número 24, na rua Rochebrune, em Montreuil, no subúrbio leste de Paris, é monotemático: a façanha do malinês Mamoudou Gassama, 22 anos, que salvou umacriança de 4 anos pendurada na sacada de um apartamento na capital francesa. Antes de se tornar herói, Mamoudou era um imigrante ilegal que trabalhava clandestinamente e residia no abrigo, dormindo no chão de um quarto de cerca de 15 metros quadrados que dividia com dois irmãos e dois primos. Continue lendo Na “Bamako parisiense”, imigrantes malineses buscam sonho europeu→
PARIS – Nicolas Hulot, reputado ativista ecológico francês, recusou todos os convites para integrar os governos dos presidentes Jacques Chirac, Nicolas Sarkozy e François Hollande. Mas acabou se rendendo aos argumentos de Emmanuel Macron, eleito em 2017 ao Palácio do Eliseu, e hoje é ministro da Ecologia, o terceiro posto na hierarquia do governo. Em 2019, Hulot pretende organizar, em Paris, um grande encontro internacional de povos autóctones, com a participação de chefes de Estado do mundo inteiro.
Sebastião Salgado, fotógrafo brasileiroreconhecido internacionalmente, retratou os quatro cantos do planeta e, para além de suas imagens em preto e branco, acabou se tornando um ator da causa ecológica. Com a mulher, Lélia, criou o Instituto Terra e recuperou a desmatada floresta da propriedade de seus pais, em Minas Gerais, com o plantio de cerca de 2,5 milhões de árvores. O fotógrafo prepara, para 2021, uma nova exposição e livro, desta vez sobre os índios da Amazônia. Já como defensor da ecologia, elabora um ambicioso projeto de proteção e desenvolvimento da floresta amazônica.
PARIS – O visitante que desembarcar, hoje, na França, e se deparar com universidades ocupadas por estudantes, greves de trabalhadores e confrontos com a polícia em manifestações de rua poderia, acidentalmente, pensar que retrocedeu no tempo até maio de 1968. As comparações das turbulências contemporâneas com o mítico mês que há 50 anos abalou o país e entrou para a História têm sido frequentes, mas de pronto contestadas pela facilidade de suas coincidências e por seu anacronismo. Em plena efeméride cinquentenária, no entanto, o contexto atual insuflou o debate sobre o legado de 68.Continue lendo Maio de 1968 virou mito e contamina as lutas do presente na França→
PARIS – Em 22 de março de 1968, cerca de 150 estudantes, liderados por Daniel Cohn-Bendit, ocuparam a Universidade Paris Nanterre, nos subúrbios da capital francesa, no episódio simbolicamente considerado como marco deflagrador do movimento que se expandiu pelo país no mês de maio. Os jovens exigiam a liberação de um militante contra a guerra do Vietnã, preso alguns dias antes em uma manifestação no centro de Paris, e também a livre circulação de estudantes dos sexos feminino e masculino nas residências universitárias. Neste maio de 2018, Paris Nanterre é uma das universidades ocupadas na França por estudantes contrários ao projeto de lei do governo que altera regras de admissão no ensino superior. Sem desmerecer conquistas de maio de 68, mas também críticos ao movimento, a nova geração de rebeldes evita equiparar suas lutas de hoje com as barricadas de 50 anos atrás. Continue lendo “Não queremos repetir Cohn-Bendit”, dizem jovens ativistas franceses→
PARIS – Na França, o período pós-maio de 68 não redundou na violência de organizações armadas como ocorreu na Alemanha e na Itália, refletida em sangrentas ações de grupos como Fração do Exército Vermelho (RAF, na sigla em alemão) – também conhecido como Baader-Meinhof – e Brigadas Vermelhas. Entre os numerosos atos violentos da RAF, está o sequestro e assassinato do empresário alemão Hanns Martin Schleyer, em 1977, que deflagrou o chamado Outono Alemão, marcado por uma série de atentados e execuções, no auge da luta do Estado contra o terrorismo de extrema-esquerda. Já os “anos de chumbo” italianos tiveram seu caso mais emblemático no rapto do ex-primeiro-ministro Aldo Moro, em 1978, que culminou em sua execução. Para o especialista de sociologia política das universidades de Lausanne e de Paris-Sorbonne, Olivier Fillieule, coautor de “Mudar o mundo, mudar de vida – pesquisa sobre os militantes dos anos 1968 na França” (ed. Actes Sud ), os contextos nacionais e políticos explicam as diferentes opções em relação ao uso da violência pelos três países. Continue lendo França, Itália e Alemanha: três diferentes destinos em relação à luta armada no período pós-maio de 68→
PARIS – Eugène Delacroix (1798-1863), um ilustre desconhecido? Essa é a questão que permeia a grande retrospectiva do célebre pintor francês em cartaz no Museu do Louvre, em Paris. Ao reunirem mais de 180 obras do artista em um mesmo espaço, os curadores pretendem revelar facetas menos perceptíveis do autor de “A liberdade guiando o povo”, a mais icônica de suas criações, inspirada na revolução parisiense de 1830 e simbolizada por uma mulher de seios nus empunhando a bandeira francesa em meio a uma cena de barricada. Continue lendo Louvre mostra obra do Delacroix desconhecido→
PARIS – O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, não tem economizado milhas de voo em uma intensiva estratégia de sedução junto a governos ocidentais. Sua recente visita oficial de três dias na França foi considerada como mais uma etapa em sua tentativa de forjar novas relações internacionais e arrecadar investimentos a partir de suas propagandeadas políticas de diversificação econômica, de modernização da sociedade e de combate à corrupção e ao Islã radical no país. Controverso, o jovem líder saudita de 32 anos, conhecido pelas iniciais MBS, sacudiu estruturas de poder em Riad e o tabuleiro político na região, conquistando apoios e desafetos. Continue lendo Mohammed bin Salman: o controverso príncipe herdeiro que governa a Arábia Saudita→
PARIS – O artista Wagner Schwartz é um sobrevivente do linchamento virtual, “uma definição atualizada de tortura”, como ele mesmo explica, para facilitar a compreensão da dolorida experiência. No último fim de semana, o Palais de Tokyo, celebrado espaço de manifestações de arte contemporânea da capital francesa, foi palco de um importante capítulo da história de sua sobrevivência artística e pessoal. Como um dos nomes convidados do festival internacional “Do disturb”, Schwartz apresentou nos três dias do evento sua performance “La bête”. Paris acolheu a primeira apresentação da obra desde a incendiária polêmica surgida no Brasil, em 2017. Continue lendo Paris vê sem polêmica “La Bête”, performance alvo de ataques no Brasil→
PARIS – A história de Ulisses e de Penélope, narrada em versos no clássico da literatura grega “Odisseia”, de Homero, acaba de ganhar uma versão brasileira nos palcos da França. A célebre epopeia é a fonte de inspiração do mais novo espetáculo da diretora carioca Christiane Jatahy, “Ítaca – Nossa Odisseia 1”, que estreou sexta-feira no espaço Ateliers Berthier do Odéon-Théâtre de l’Europe, em Paris. A montagem mantém o DNA da criadora, constituído do permanente diálogo entre dramaturgia e cinema, realidade e ficção, num teatro político que explora os limites fronteiriços entre a cena e o público. Continue lendo “ítaca”, a nova odisseia de Christiane Jatahy em Paris→
PARIS – Certa vez, o prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa escreveu que se alguém lhe dissesse que um dia veria “viagens turísticas gastronômicas” ao Peru, seu país natal, jamais acreditaria. A gastronomia peruana desafiou os incrédulos e se tornou uma referência no planeta, num movimento que tem o hoje célebre chef Gastón Acurio, 50 anos, como um de seus principais precursores. Continue lendo Gastón Acurio: “Os grandes restaurantes caros se tornarão cada vez mais raros”→
PARIS – Leïla Slimani recebe a reportagem em seu apartamento parisiense, às 9h da manhã, com seu bebê no colo e logo se desculpa, avisando que a babá está para chegar. A imagem não poderia ser mais emblemática. Seu romance “Canção de ninar”, lançado este mês no Brasil (Ed. Planeta) e vencedor há dois anos do prestigiado prêmio literário Goncourt, o mais importante da França, gira em torno do assassinato de duas crianças por sua babá, numa história inspirada de um fato real ocorrido em Nova York, em 2012. Continue lendo Atração da Flip, Leïla Slimani lança no Brasil seu premiado romance→
PARIS – Engajado desde 1977 nos movimentos de ajuda internacional, o francês Rony Brauman é um entusiasta fiel e também um crítico vigilante da ação humanitária. Como um dos fundadores da Médicos sem Fronteiras (MSF), e ex-presidente da instituição (1982-1994), condena o apelo excessivo das organizações às regras do direito internacional humanitário, já que, realisticamente, “a guerra só tem uma regra, a vitória”. Ele lamenta os escândalos de abuso sexual no meio, alertando para a existência de outras formas de agravos, não sexuais: “É bom que este problema venha agora à tona, na Oxfam como na MSF. Apenas acrescentaria que isso também é utilizado por pessoas que têm por objetivo desqualificar a ajuda internacional.” Continue lendo Rony Brauman: “Na guerra, democracias e ditaduras mentem igual”→
PARIS – O Museu do Louvre acolherá nesta segunda-feira uma cerimônia rara: a restituição de um quadro certificado como espoliado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. O tríptico “A Crucificação”, atribuído ao pintor renascentista flamengo Joachim Patinir (1480-1524), será entregue pelas mãos da ministra da Cultura francesa, Françoise Nyssen, aos descendentes de Henry e Hertha Bromberg. Continue lendo Louvre devolve quadro espoliado pelos nazistas→
SAINT-GERMAIN-EN-LAYE –Miraíldes Maciel Mota costuma se assentar solitária em um dos bancos do vasto e belo jardim do castelo de Saint-Germain-en-Laye, localidade francesa de pouco mais de 40 mil habitantes, nos arredores de Paris. Ali, em meio à bucólica paisagem, se deixa levar por seus pensamentos, em aprazíveis momentos meditativos. Ela não teme – e até curte – a solidão, mas, a bem dizer, sua maior paixão é coletiva: o futebol. No seio da família, é simplesmente Mira, mas para os brasileiros que acompanham o futebol feminino e para suas adversárias pelo mundo, é a temível Formiga, infatigável e habilidosa volante que do alto de seu 1,62 metro de altura fez história na seleção canarinho com o número 8 às costas. Continue lendo Formiga: a vida na França da ex-craque da Seleção Brasileira, agora no PSG→
PARIS – Não seria surpresa se, certa manhã, Vitor Dias Tarli despertasse de seus sonhos transformado em uma gigantesca barata, a exemplo do personagem Gregor Samsa na célebre obra “Metamorfose”, clássico da literatura de Franz Kafka. Vitor convive com baratas diariamente. Mais do que isso: estuda-as com paixão e afinco. O paranaense, de 29 anos, é um dos raros especialistas brasileiros em baratas, e atualmente desenvolve uma pesquisa de doutorado sobre o tema no Museu Nacional de História Natural, em Paris. A instituição francesa de pesquisa e de difusão da cultura científica naturalista, fundada em 1793, possui uma das maiores coleções de baratas do mundo.Continue lendo Vitor Tarli: pesquisador brasileiro de baratas no Museu Nacional de História Natural francês→
PARIS – Face à reverberação de discursos racistas, xenófobos, antissemitas e islamofóbicos na França, exacerbados após os atentados terroristas de 2015, uma escola pública parisiense e uma associação dedicada à amizade judeu-muçulmana se aliaram num trabalho pedagógico com alunos de diferentes origens e crenças para promover o “viver junto” e combater estereótipos e preconceitos. O colégio público Georges-Brassens, no 19° distrito da capital francesa, e a associação Bâtisseuses de Paix (Construtoras de Paz) reivindicam um projeto urgente em tempos de “comunitarismo”, de “importação do conflito Israel-Palestina”, e lamentam a falta de um “diálogo positivo” no ensino francês na abordagem destes temas. Continue lendo Cultura compartilhada: escola pública em Paris faz trabalho pedagógico contra antissemitismo e islamofobia com alunos→
FERNANDO EICHENBERG E GRAÇA MAGALHÃES-RUETHER O GLOBO
PARIS/BERLIM – A acelerada perda de força e de territórios do califado do Estado Islâmico no Iraque e na Síria criou um novo problema para o Velho Continente: o retorno de centenas de combatentes europeus que haviam partido para aderir à Jihad, e também de cônjuges e filhos. Em meio ao clima de constante ameaça terrorista, a questão dos repatriados do EI é fator de tensão nas populações europeias, num complexo debate de aspectos jurídicos, diplomáticos, humanos e de segurança. Entre medidas legais de aplicação imediata — prisão e julgamento — e planos de desradicalização de longo prazo, autoridades e organizações da sociedade civil buscam soluções para neutralizar o risco e, se possível, tentar a reintegração, principalmente de mulheres e crianças. Continue lendo Regresso de jihadistas do Estado Islâmico desafia governos na Europa→
LILLE, FRANÇA – No comando da Seleção, Tite leva por onde vai uma sombra, constante fonte de luz para suas ideias, mas também de saudáveis dúvidas para suas certezas. A onipresente companhia tem um nome: Cléber Xavier, 53 anos, seu inseparável auxiliar técnico. Frequentemente chamado de « braço direito » ou « fiel escudeiro » do técnico, este gaúcho de Alegrete – e hoje carioca de adoção – é considerado ainda como um « segundo treinador », apenas um degrau abaixo quando se trata de tomar uma decisão final face a uma discordância. Apesar de extremamente diferentes no estilo e na personalidade, a dupla vive há 16 anos uma inabalável parceria nos gramados.Continue lendo Juntos há 16 anos, Tite e seu auxiliar Cléber Xavier planejam a primeira Copa→
Entrevistas, reportagens e textos de um jornalista em Paris