PARIS – Nesta terça-feira, 9 de julho, se encerra o prazo de 90 dias legais do governo interino da Argélia instituído após a queda do presidente Abdelaziz Bouteflika. As manifestações de rua que forçaram a renúncia do líder que permaneceu 20 anos no poder – e aspirava a um quinto mandato -, no entanto, não cessam há quatro meses, firmes em sua reivindicação por um processo de transição transparente e independente, sem a onipresente interferência do Exército e de representantes do antigo regime, que ainda controlam o sistema. Continue lendo Manifestantes pedem transição na Argélia, mas militares mantêm o poder→
PARIS – Durante quatro anos, o sociólogo e jornalista francês Frédéric Martel mergulhou na Igreja Católica e no Vaticano, com temporadas em Roma e viagens por mais de 30 países. Realizou cerca de 1.500 entrevistas, incluídos 41 cardeais, 52 bispos e monsenhores, 45 núncios apostólicos e mais de 200 padres e seminaristas. Sua investigação resultou no livro de mais de 600 páginas “No armário do Vaticano – poder, hipocrisia e homossexualidade” (Objetiva), com edição brasileira prevista no início de julho. Martel procura mostrar como a onipresença de homossexuais na Igreja e nas altas hierarquias do Vaticano, em uma cultura do segredo, se configurou em um sistema – e não um “lobby gay” denunciado pelos ultraconservadores -, com papel importante nos jogos de poder e nos escândalos da instituição. Defende Francisco como um papa “gay friendly”, embora com lógicas limitações, e aponta um complô do campo dos conservadores radicais para forçá-lo à renúncia. Às vésperas de viajar ao Brasil para a promoção do livro, Frédéric Martel conversou com O GLOBO na capital francesa.Continue lendo “A cultura do segredo permitiu a proteção de abusos”, diz autor de “No armário do Vaticano”→
PARIS – Para o ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, General Santos Cruz, não se deve “jogar fora nenhuma crítica” neste início de governo Jair Bolsonaro, nem mesmo as recentes acusações proferidas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que o Executivo de não possui uma agenda para o país. O general reconhece que “acomodações” precisam ser feitas na área política do governo e que todo investidor estrangeiro quer “um ambiente estável”; acredita que a reforma da Previdência será aprovada com modificações até julho; define as manifestações estudantis no país como parte do “andamento social”, e defende a “liberdade com responsabilidade” nos tuítes dos filhos do presidente. Continue lendo “Todo investidor quer um ambiente estável”, diz ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, General Santos Cruz, em Paris→
PARIS – As eleições para o Parlamento Europeu, organizadas a cada cinco anos desde 1979, são reconhecidas como um pleito, embora de ambições continentais, dominado por questões nacionais, em debates políticos vinculados às realidades específicas de cada país. O paradoxo eleitoral permanece válido para o escrutínio desta semana, mas as campanhas deste ano, segundo analistas, alcançaram um maior teor europeu e uma inédita importância em relação às edições passadas, em grande parte pela emergência e crescimento dos partidos nacionalistas e de extrema direita, que usam o embate como tribuna para suas críticas ao atual funcionamento da União Europeia (UE). De acordo com as sondagens, as forças políticas populistas e da direita radical deverão incrementar seu número de eurodeputados em Bruxelas, ainda que de forma insuficiente para constituir maioria parlamentar. Continue lendo Populistas devem crescer, mas de forma limitada, nas eleições europeias→
PARIS – Em queda de prestígio nos Estados Unidos desde que foi destituído do cargo de estrategista-chefe da Casa Branca pelo presidente Donald Trump, em 2017, o ultraconservador Steve Bannon procura reerguer sua imagem e refazer sua rede de influência se lançando como protagonista de uma união de forças populistas na Europa. Na opinião de analistas, no entanto, os dirigentes europeus não parecem seduzidos pelas ambições do guru americano, que goza de alta estima da parte do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos. Continue lendo Ex-estrategista de Trump, Steve Bannon tenta influenciar direita radical nacionalista e populista na Europa→
PARIS – O título do mais novo ensaio do escritor Amin Maalouf, lançado recentemente na França, não deixa dúvidas sobre seu diagnóstico do estado atual do mundo: “O naufrágio das civilizações” (Grasset). Em considerações históricas entremeadas de testemunhos pessoais, suas palavras descrevem as sociedades ocidentais e árabes em um quadro sombrio de desintegração, com o aumento da violência provocada pelas afirmações identitárias, a expansão dos populismos, o fracasso do projeto europeu, o egocentrismo americano e a ausência de um sistema internacional capaz de indicar um rumo a um planeta sem bússola. “O mundo, hoje, se assemelha a uma selva”, diz, em conversa com O Globo na capital francesa. Continue lendo Amin Maalouf traça um retrato sombrio do mundo com aumento das afirmações identitárias, dos populismos, do controle e da vigilância→
PARIS – Quando decidiu financiar a publicação de seu manual sobre a masturbação feminina via uma campanha de crowfunding na Internet, a francesa Julia Pietri colocou como meta o custeio de 100 exemplares, esperando alcançar, em suas previsões mais otimistas, um máximo de 500 pedidos. Em um mês, a pré-venda fechou em um total de 3.282 unidades. No final, “Au bout des doigts – le petit guide de la masturbation féminine” (Na ponta dos dedos – o pequeno guia da masturbação feminina) será impresso em 4.000 exemplares e distribuído neste mês aos primeiros compradores, impulsionado pelo slogan “Declaremos aberta a revolução do clitóris!”. Continue lendo Revolução do Clitóris: francesas lançam livros, campanhas e websérie para desmistificar e democratizar os poderes do órgão sexual feminino→
PARIS – Conversar com o chef Alain Ducasse, um dos maiores nomes da gastronomia francesa, é viajar pelo mundo. Com um total de 18 estrelas no renomado Guia Michelin, fruto de 31 restaurantes espalhados por nove países em três continentes, ele mesmo se autodefine como um “globetrotter degustador”. Quem indagar sobre sua agenda, corre o risco de se perder pelo caminho. “No próximo sábado viajo a Portugal, vou e volto no mesmo dia, para avaliar a possibilidade de um novo projeto nos arredores de Lisboa. Na semana passada estive em Doha, no Qatar, só para um jantar, nem pernoitei em hotel, dormi no avião. Ontem, estava em Perpignan, para uma nova experiência com fermentação de chocolate e jantei no restaurante Le Clos de Lys, uma agradável surpresa do jovem chef Franck Séguret. Amanhã, vou a Barcelona, e depois parto para Manila, Macau e Hong Kong. Há quinze dias estive nos Estados Unidos e, antes, no Japão. Viajo pelo menos uma vez por semana“, diz, acomodado em uma pequena sala anexa à cozinha de seu estrelado restaurante no subsolo do Hotel Plaza Athénée, em Paris. Continue lendo Chef Alain Ducasse fala de suas viagens e também do acidente aéreo em que foi o único sobrevivente e quase perdeu a vida→
PARIS – Recentemente convidada para participar da elaboração do menu de um jantar servido em um evento gastronômico nos suntuosos salões do Quai d’Orsay, a sede do Ministério das Relações Exteriores francês, à beira do rio Sena, a chef brasileira Alessandra Montagne admitiu se sentir, por momentos, em um sonho acordado.
– Não conseguia parar de enxergar aquela menininha da roça, de pé no chão, vestido rasgadinho. Será que este povo tinha noção de que estava chamando a menina de Poté para cozinhar no Quai d’Orsay? – indaga, rindo. – Foi um grande orgulho estar na cozinha naquela noite ao lado de chefs como Guy Savoy e Gérald Passédat. No final, o Alain Ducasse veio me dizer que meu prato estava ótimo. Fiquei super-honrada, a França me deu muitas oportunidades. Continue lendo A incrível história da chef brasileira Alessandra Montagne, de Poté (MG) para as cozinhas de Paris→
PARIS – Aos sete anos de idade, a pequena Cacau indagou a sua mãe o que havia para além do rio Javarizinho, nos confins da Amazônia, onde morava com a numerosa família em uma cabana sem água corrente e eletricidade. “Pra lá do rio, é o mundo”, foi a lacônica – e poética – explicação materna. Dias depois, sua mãe a avistou nadando ao longe, já bem distante da margem e, às pressas, pulou em uma canoa para resgatar a filha.
PARIS – Após uma maratona de três meses de debates pelo país, o presidente Emmanuel Macron anunciou sua aguardada resposta à crise deflagrada pelo movimento dos chamados coletes amarelos, em manifestações que já se estendem por 23 sábados consecutivos em cidades da França. Seu discurso de ontem, seguido de uma inédita entrevista coletiva para a imprensa francesa e internacional, no Palácio do Eliseu, foi marcado menos por medidas concretas para atender às reivindicações das ruas e mais por considerações gerais sobre seus projetos para o país. Macron defendeu sua política aplicada nestes dois anos de governo, e, entre anúncios sobre impostos e reformas institucionais, propôs também uma refundação do Espaço Schengen de livre circulação europeia, um reforço das fronteiras e um endurecimento do combate à imigração. Continue lendo Medidas de Macron em resposta a protestos não satisfarão franceses, dizem analistas→
PARIS – Os ventos da chamada Primavera Árabe, deflagrados no início da década por revoltas contra regimes autoritários no Norte da África e Oriente Médio, continuam a soprar em países da região. As recentes rebeliões emergidas no Sudão e na Argélia mostram que populações ainda são capazes de se mobilizar contra governos marcados pela perenidade no poder, práticas ditatoriais e corrupções endêmicas. Mas, a exemplo de movimentos precedentes em que a liberalização reivindicada culminou em restaurações despóticas ou em situações de caos, sudaneses e argelinos que hoje ocupam as ruas correm o risco de ter suas aspirações democráticas frustradas pela capacidade de reação do status quo político e dos militares. Continue lendo Argélia e Sudão têm revoltas marcadas pela incerteza em clima de “nova Primavera Árabe”→
PARIS – Apoiada em uma murada da Pont Neuf, a parisiense Virginie Bastier, 55 anos, não continha as lágrimas diante das chamas que consumiam o telhado e as entranhas da catedral de Notre-Dame, no início da noite de ontem.
PARIS – Os coletes amarelos sairão hoje às ruas da França no 19° sábado consecutivo de manifestações desde novembro, em um inédito movimento de protesto no país. A revolta, deflagrada por reivindicações de justiça fiscal e social e marcada por momentos de extrema violência, forçou o presidente Emmanuel Macron a mudar seu estilo de governança e a organizar um amplo debate nacional, encerrado no último dia 15, para acolher as principais demandas dos franceses. Mas, na opinião de analistas, pressionado pela radicalização dos protestos e o risco de frustrar as expectativas com as medidas resultantes do chamado Grande Debate, o líder francês não está próximo de terminar com seus problemas, e suas opções para solucionar esta interminável crise encolhem a cada dia. Para este sábado, o governo decidiu fortalecer o dispositivo repressivo face às manifestações.Continue lendo Frente a revolta, opções de Macron se estreitam→
PARIS– “Desde que estou aqui, jamais acreditei na possibilidade de retornar. (…) Aqui é um outro mundo. É o Inferno. Mas o inferno de Dante é imensamente ridículo em relação ao verdadeiro daqui, e nós, como testemunhas oculares, não devemos sobreviver. Apesar de tudo, mantenho, por vezes, uma pequena faísca de esperança – talvez por um milagre qualquer. Eu que já tive tanta sorte, um dos mais velhos aqui, sobrevivi a tantos obstáculos, será que ocorrerá o milagre final? Mas, neste caso, chegarei antes que seja encontrada esta carta enterrada”.
O trecho acima pertence a uma missiva de oito páginas escrita em 6 de novembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, no campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, e que hoje, 75 anos depois, ressuscita do passado em uma trama detetivesca que corrige a História ao revelar a verdadeira identidade de seu autor e surpreende seus familiares. Assinada apenas por “Hermann”, a carta foi descoberta em fevereiro de 1945 por um enfermeiro da Cruz Vermelha, Andrejz Zaorski, dentro de uma garrafa de vidro sob os escombros de um dos crematórios de Auschwitz. Continue lendo Carta escrita em Auschwitz na II Guerra ressuscita 75 anos depois→
PARIS – Inglesa de nascimento, Jane Birkin começou cedo sua vida artística. Aos 17 anos, debutou nos palcos londrinos em uma peça de Graham Greene. Aos 19, se casou com John Barry, oscarizado compositor britânico, reputado pelas trilhas sonoras dos filmes de James Bond. No cinema, despontou em 1966 no controverso filme cult “Blow up” (Palma de Ouro do Festival de Cannes 1967), de Michelangelo Antonioni, em que provocou escândalo ao protagonizar uma das pioneiras cenas de nu frontal nas telas. Em 1968, conheceu, em Paris, Serge Gainsbourg (1928-1991), poeta maldito e músico irreverente, com quem viveu uma intensa e duradoura relação de 12 anos. Hoje, aos 72 anos, estrela mais uma turnê internacional, interpretando canções de Gainsbourg, acompanhada de uma orquestra sinfônica. Nesta entrevista, fala de suas viagens pelo mundo e do primeiro volume de seu diário, recentemente lançado na França.Continue lendo Jane Birkin: entre seu diário íntimo e suas viagens pelo mundo→
FERNANDO EICHENBERG / ILUSTRÍSSIMA-FOLHA DE S. PAULO
PARIS – O mal-estar masculino contemporâneo não é apenas consequência das diferentes formas de emancipação feminina ou dos abalos provocados pelo movimento #MeToo. A crise do homem neste início de século tem sua principal causa na erosão do mito da virilidade. Essa é a tese desenvolvida em mais de 400 páginas pela pensadora francesa Olivia Gazalé em “Le Mythe de la Virilité – Un Piège pour les Deux Sexes” (o mito da virilidade – uma armadilha para os dois sexos, ed. Robert Laffont, sem previsão de lançamento no Brasil). A autora mostra como a dominação masculina foi construída nos campos político, filosófico, religioso, biológico e cultural, moldando o homem a uma postura viril e relegando a mulher a uma posição de inferioridade. O futuro do feminismo depende, segundo ela, da conscientização pelo homem de sua virilidade fabricada e da reinvenção de sua masculinidade. Ela acredita que o movimento #MeToo estabeleceu uma “mutação antropológica”, fundou um novo paradigma na relação entre os sexos e impulsou a reflexão masculina sobre a cilada da virilidade. Seu otimismo em relação à emancipação dos sexos é apenas nuançado pelas “reações hipervirilistas” nestes tempos de crise. Continue lendo Filósofa francesa Olivia Gazalé diz que futuro do feminismo depende de uma reinvenção da masculinidade→
PARIS – A revolta dos coletes amarelos na França, em manifestações pelo país desde novembro, obrigou o presidente Emmanuel Macron a alterar seu método de governança. Saiu o presidente jupiteriano que se reivindicava como o mestre do tempo e dizia que manteria seu ritmo de reformas a todo custo, em uma forma de governar sem os vícios do passado e acima das pautas da mídia. Encurralado pelas ruas e de olho nas eleições europeias, assumiu o líder que, de mangas arregaçadas, têm feito maratonas de debates com prefeitos ou estudantes em discursos de tom conciliador, em uma tentativa de se desvencilhar da imagem arrogante de “presidente dos ricos” que lhe colou desde seus primeiros meses no poder. Para analistas, o novo estilo presidencial contribui para estancar sua queda de popularidade, mas a sobrevivência do governo Macron dependerá das consequências práticas da consulta popular nacional lançada pelo governo, com término em 15 de março, e dos resultados das urnas no pleito para o Parlamento Europeu, em 26 de maio. Continue lendo Macron muda de estilo para sobreviver a protestos na França→
PARIS – Rosa Moussaoui entrou para o jornal L’Humanité em 2004, ano do centenário da histórica publicação francesa. “Estou aqui há 15 anos por convicção. É um jornal enraizado nas lutas sociais, na solidariedade internacional e um reflexo de combates ecologistas e feministas. Essa identidade política é extremamente importante para mim. Esse jornal sempre sobreviveu pela vontade daqueles que o fazem e o leem”, diz, assentada na redação situada no número 5 da rua Pleyel, em um moderno complexo de escritórios em Saint-Denis, subúrbio norte de Paris. O tom militante emerge da crise vivida nestas semanas pelo jornal. A secular aventura do L’Humanité, afundado em dívidas, esteve ameaçada de chegar ao fim. No último dia 7, no entanto, o Tribunal de Bobigny concedeu uma sobrevida à publicação e aceitou o pedido de recuperação judicial, com permissão de continuar em atividade por um período de observação de seis meses. Uma nova audiência está marcada para o dia 27 de março. Continue lendo L’Humanité, centenário jornal da esquerda francesa, luta para sobreviver em meio à grave crise financeira→
PARIS – A arte de Victor Vasarely (1906-1977), húngaro naturalizado francês, ganha sua primeira grande retrospectiva na França, com 300 obras, objetos e documentos expostos no Centre Pompidou, de 6 de fevereiro até 6 de maio. Considerado precursor das artes ótica (op art) e cinética, suas criações invadiram o universo da pintura, da escultura, da moda, do design, da publicidade ou da arquitetura. Vasarely é a ilustração de “Space Oddity”, álbum cult de David Bowie, e também o logotipo da Renault, a sala de refeições da sede do Deutsche Bank, capas de livros dos filósofos Jean-Paul Sartre e E.M. Cioran, louças de porcelana, intervenções em estações de trem ou em fachadas de grandes empresas.Continue lendo Obra de Vasarely recebe retrospectiva inédita no Centro Pompidou→
PARIS – A menos de quatro meses das eleições para o Parlamento Europeu, nunca foram tão afrontosas as relações entre Roma e Paris. As virulentas provocações dos líderes nacionalistas italianos contra o governo pró-europeu francês refletem o lado incendiário de um embate maior entre as às vésperas da disputa nas urnas em maio, em um pleito que adquiriu uma inusitada importância provocada pela nova realidade política e ideológica no continente. Continue lendo Itália e França travam embate às vésperas das eleições europeias→
Kahina Bahloul diz que a separação entre homenes e mulheres não tem sentido: “É um tipo de esquizofrenia. Hoje todos os dias homens e mulheres estão juntos no trabalho, na escola, na universidade”. Foto: Divulgação
FERNANDO EICHENBERG / O GLOBO
PARIS – Na vez em que foi orar na prestigiosa Grande Mesquita de Paris, Kahina Bahldoul se viu relegada a uma desconfortável sala no subsolo, adjacente ao banheiro masculino, onde mal se ouvia o imã que pregava exclusivamente para os homens no recinto principal, um andar acima, ao qual o acesso das mulheres era proibido.
— Mas vivi uma experiência ainda pior — conta ela. — Fomos em um grupo, homens e mulheres, a uma mesquita nos arredores de Paris. Ao chegarmos, disseram para nós, mulheres: “Atravessem a rua e encontrarão uma garagem, lá é o lugar de vocês”. Ainda por cima, era uma data de festa religiosa. Na garagem, era péssima a transmissão do sermão pelo alto-falante. Foi algo extremamente desagradável, me senti insultada. A partir daquele dia, decidi não frequentar mais mesquitas e passei a fazer minhas orações em casa.Kahina Bahloul diz que a separação de homens e mulheres não tem sentido: “É um tipo de esquizofrenia. Hoje todos os dias homens e mulheres estão juntos no trabalho, na escola, na universidade” .Continue lendo Muçulmanas reivindicam igualdade de tratamento entre homens e mulheres nas mesquitas da França→
PARIS – Lançado em clima de euforia em 1999, o euro celebra seus 20 anos neste 1° de janeiro em uma Europa claudicante, sem liderança e abalada por incertezas políticas e econômicas. A inédita insurreição dos coletes amarelos na França revelou a crescente desconfiança em relação às instituições e a fragilidade do contrato social vigente em democracias europeias, em mais uma manifestação de mal-estar num continente já sacudido pela escalada dos nacionalismos, as incógnitas do Brexit e a desaceleração econômica. Tanto o governo populista italiano como o europeanista francês desafiam, hoje, as rígidas regras orçamentárias da zona euro para satisfazer seus programas políticos e as demandas domésticas reclamadas pelas ruas. Na opinião de especialistas, a moeda única completa duas décadas com um balanço contraditório em meio à desordem social e política. Continue lendo Euro celebra seus 20 anos neste 1° de janeiro em uma Europa sem liderança e abalada por incertezas políticas e econômicas→
PARIS – Certa vez, perguntado sobre que personalidade, morta ou viva, gostaria de encontrar por apenas uma hora, Michael Jackson respondeu: Michelangelo. “Sempre pensei que era o artista mais fabuloso, e eu amo arte. Penso que se pudesse encontrar alguém do passado, seria ele. Acredito que entendi o que ele queria dizer e fazer, mesmo que tenha sido criticado. Era um verdadeiro artista. Teria gostado de sentar e conversar com ele”, disse. Amante e colecionador de arte – do barroco italiano ao universo de Walt Disney, passando por Degas e Norman Rockwell, entre tantos outros -, Michael Jackson não escondia sua predileção por Michelangelo, inclusive recorrendo com frequência à citações do gênio italiano do Renascimento: “Sei que o criador partirá, mas sua obra sobreviverá. Por isso, para escapar da morte, procuro acorrentar minha alma ao meu trabalho” era uma de suas preferidas. Em suas turnês europeias, o ídolo pop não perdia oportunidades para fazer visitas privadas na Capela Sistina, na Galleria degli Uffizi, no Museu do Louvre ou no Castelo de Versalhes. Continue lendo Michael Jackson revive na arte contemporânea em mostra no Grand Palais→
REIMS – À primeira vista, Alain e Dafroza Gauthier formam um casal de aposentados em uma vida pacata e aprazível em Reims, a capital do champanha no nordeste da França. Ela, 64 anos, ex-engenheira química, e ele, 69, ex-professor de francês, residem em uma casa de amplas janelas e um belo terraço, onde costumam receber a visita dos três filhos, de 38, 35 e 30 anos. Mas, além das aparências, seu cotidiano se assemelha a uma complexa e interminável trama detetivesca. Há cerca de 20 anos, o casal Gauthier vive seus dias mergulhado em uma única missão: desmascarar na França suspeitos de terem participado do genocídio de Ruanda, em 1994, e denunciá-los à Justiça.Continue lendo Guerrilheiros da memória: a luta de um casal francês para colocar na cadeia genocidas de Ruanda→
PARIS – A Fundação Henri Cartier-Bresson, instalada desde sua criação, em 2003, no bairro Montparnasse, muda de endereço em Paris. Seus novos espaços, de acabamento recém-finalizado, serão abertos ao público nesta terça-feira, dia 6, no número 79 da rue des Archives, em pleno bairro Marais. A nova Fundação inaugura com uma exposição retrospectiva da fotógrafa Martine Franck (1938-2012), em cartaz até 10 de fevereiro.
PARIS – O visitante deste outono parisiense não poderá se queixar da falta de opções de exposições de arte de qualidade. Neste final de ano, a capital francesa apresenta uma rara profusão de exuberantes mostras de reputados artistas em prestigiados museus e espaços de arte da cidade. Importantes obras de Picasso, Miró, Egon Schiele, Jean-Michel Basquiat, Caravaggio, Alphonse Mucha, entre outros nomes, estão concentradas na capital francesa, à mercê do curioso olhar do amador de arte. Continue lendo Um período rico em exposições em Paris: Picasso, Miró, Egon Schiele, Basquiat, Caravaggio, Mucha…→
PARIS – A empatia pode ajudar a apaziguar o deletério clima político no Brasil e levar a transformações sociais no mundo? O filósofo australiano Roman Krznaric acredita que sim. Ao longo dos anos e de consecutivas obras, Krznaric se tornou um pensador e autor de sucesso, reconhecido arauto do movimento da filosofia prática, também chamada de filosofia popular. Em ensaios catapultados a best-sellers e traduzidos em mais de vinte idiomas – como “O poder da empatia”, “Como encontrar o trabalho da sua vida” ou “Carpe Diem – resgatando a arte de aproveitar a vida” -, o “pensador cultural”, um dos fundadores da The School of Life e ex-professor de Sociologia e Política da Universidade de Cambridge, reivindica a aplicação dos ensinamentos filosóficos na vida cotidiana, num resgate do tempo dos antigos gregos. Continue lendo Roman Krznaric: “A pergunta do século XX foi ‘quem sou eu?’, e a pergunta do século XXI deve ser ‘quem é você?’”→
Entrevistas, reportagens e textos de um jornalista em Paris