“Sejam quais forem as transformações da pintura, seu suporte ou moldura, a questão é sempre a mesma: o que está acontecendo ali? Tela, papel ou muro, trata-se de uma cena onde algo surge (e se, em certas formas de arte, o artista quer deliberadamente que nada aconteça, é também uma aventura). Deve-se encarar o quadro como um tipo de teatro à italiana: a cortina se abre, olhamos, esperamos, compreendemos. E passada a cena, desaparecido o quadro, nos lembramos: não somos mais os mesmos de antes; como no teatro antigo, fomos iniciados”. Continue lendo Cy Twombly em mostra integral inédita em Paris
Le Bal expõe a revolução da imagem da “Provoke”

Há várias razões para se fazer uma visita ao Le Bal, no número 6 do impasse de la Défense (75018), em Paris. O local é conhecido por seu simpático bar, o Le Bal Café, reputado por seus concorridos brunchs dominicais e atualmente com carta branca ao restaurante Peco Peco e seu chef japonês Masahidé Ikuta. Há também a livraria, Le Bal Books, com cerca de dois mil títulos, entre “cobiçados clássicos”, “tesouros desconhecidos” ou “raras edições contemporâneas” provenientes dos quatro cantos do mundo. Mas o Le Bal, fundado entre outros pelo renomado fotógrafo Raymond Depardon, se reivindica sobretudo como um espaço de exposições e intervenções dedicado “à representação do real pela imagem em todas as suas formas”: fotografia, vídeo, cinema, novas mídias. Continue lendo Le Bal expõe a revolução da imagem da “Provoke”
Direita francesa começa escolha de seu candidato para as eleições de 2017

FERNANDO EICHENBERG / O GLOBO
PARIS – Na reta final das eleições primárias da direita francesa, três nomes aparecem em condições de brigar pelas duas vagas do segundo turno na disputa que definirá o candidato conservador no pleito presidencial de 2017. Entre os sete concorrentes, as últimas pesquisas de opinião apontam Alain Juppé, Nicolas Sarkozy e François Fillon como o trio favorito das urnas no primeiro turno deste domingo. Na falta de um nome de consenso, é a primeira vez que a direita organiza uma primária para escolher seu candidato, aberta também aos eleitores de centro, em uma campanha marcada por uma maior direitização do debate político. Continue lendo Direita francesa começa escolha de seu candidato para as eleições de 2017
“Le Canard Enchaîné” comemora 100 anos de sátira e de informação
FERNANDO EICHENBERG
PARIS – Ciosa de suas excecionalidades, a França celebra este ano o centenário do semanário “Le Canard Enchaîné”, jornal ao mesmo tempo satírico e investigativo, criado no longínquo 1916 (uma primeira tentativa ocorrera um ano antes, mas não sobreviveu a mais do que cinco edições, por causa da censura). Religiosamente nas bancas em todas as quartas-feiras, a publicação se ilustra por seu tom zombeteiro em relação às coisas da política, mas também por seus repetidos furos de reportagem e denúncias de escândalos no mundo do poder – como o conhecido caso dos diamantes oferecidos pelo ditador centro-africano Jean-Bedel Bokassa ao presidente francês Valéry Giscard d’Estaing nos anos 1970. Continue lendo “Le Canard Enchaîné” comemora 100 anos de sátira e de informação
13 de novembro: os efeitos colaterais no debate político francês

FERNANDO EICHENBERG / O GLOBO
PARIS -Os franceses prestam homenagens neste domingo em memória das 130 vítimas dos atentados cometidos há exatamente um ano, em 13 de novembro de 2015, na capital francesa, um acontecimento cujos reflexos ainda são sentidos. Os massacres de Paris, somados aos ataques na redação do jornal “Charlie Hebdo” e na orla de Nice, provocaram um profundo trauma na sociedade francesa. A onda de choque da violência terrorista promovida pelo Estado Islâmico (EI), entre tantos efeitos colaterais, influiu também no debate político e nas perspectivas para as eleições presidenciais no país, marcadas para abril e maio de 2017. Continue lendo 13 de novembro: os efeitos colaterais no debate político francês
As mil vidas de Belmondo
FERNANDO EICHENBERG
PARIS – “Mil vidas valem mais do que uma”. O título não poderia ser mais apropriado para o livro de memórias da lenda do cinema francês Jean-Paul Belmondo. Aos 83 anos e mais de 80 longa-metragens no currículo, o ator, ícone nos anos 1960 do “charme viril à la française” e estrela do cult “Acossado” , decidiu contar pela primeira vez suas inúmeras vidas em uma autobiografia (ed. Fayard, 320 págs.), lançada na semana passada na França. Simultaneamente, saiu do prelo, pela mesma editora, um álbum de fotos de mais trezentas páginas com imagens retiradas de seu arquivo privado. Versátil nas telas, Belmondo diz que apreciava tanto protagonizar perigosas cenas de ação sem recorrer a dublês, como em “O Homem do Rio” ou “O Magnífico”, quando chegou a quebrar o tornozelo, como atuar no improviso, sem texto, para o cineasta Jean-Luc Godard, o enfant terrible da Nouvelle Vague. Continue lendo As mil vidas de Belmondo
Ícones da arte moderna em uma exposição inédita

FERNANDO EICHENBERG
PARIS – Entre os programas imperdíveis atualmente em Paris, está uma visita à Fundação Louis Vuitton. Não para ver/rever seu prédio futurista, o elogiado e também controverso projeto arquitetônico de Frank Gehry, mas para extasiar-se com a mostra atualmente em cartaz em seus espaços: “Ícones da arte moderna – a coleção Chtchoukine”. Continue lendo Ícones da arte moderna em uma exposição inédita
Uma conversa em Paris com Michel Houellebecq

FERNANDO EICHENBERG
PARIS – O escritor francês Michel Houellebecq será a atração desta noite (07/11) do ciclo “Fronteiras do Pensamento”, às 19h45 no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre. Sob proteção policial desde os atentados de janeiro de 2015 na França, ele estava vigiado por dois agentes quando nos encontramos quatro meses depois, para uma entrevista em uma sala do primeiro andar do prédio da editora Flammarion, na praça Odéon, em Paris, na primeira semana de maio. Continue lendo Uma conversa em Paris com Michel Houellebecq
Luc Ferry: “O debate americano é desastroso”
FERNANDO EICHENBERG / O GLOBO
PARIS – O filósofo francês Luc Ferry, que já morou e lecionou nos Estados Unidos, não economiza adjetivos depreciativos ao abordar as eleições presidenciais no país. Embora defina Hillary Clinton como integrante de uma “dinastia elitista e rica”, incapaz de provocar entusiasmo, acredita que uma ida de Donald Trump à Casa Branca ridicularizaria os EUA no mundo. Em caso contrário, adverte: mesmo derrotado, Trump deixará marcas com a popularidade alcançada na campanha presidencial. Continue lendo Luc Ferry: “O debate americano é desastroso”
Oscar, born to be Wilde

FERNANDO EICHENBERG/ZERO HORA
PARIS – “A melhor maneira de livrar-se de uma tentação é ceder a ela”. “Viver é a coisa mais rara do mundo; a maioria das pessoas se contenta em existir”. “Há duas tragédias na vida: uma é satisfazer seus desejos, e a outra é não satisfazê-los”. “Dizer que um livro é moral ou imoral não tem sentido; um livro é bem ou mal escrito”. “Democracia: a opressão do povo, pelo povo e para o povo”. “Quando os deuses querem nos punir, eles atendem as nossas preces”. Quem já não leu ou ouviu uma destas máximas? As espirituosas sentenças e aforismos se reproduzem às dezenas pela pena do escritor irlandês Oscar Wilde (1854-1900), de quem se diz que hoje seria um incansável fraseador do twitter de 140 caracteres. O dândi provocador, esteta, crítico de arte, dramaturgo e autor de poemas, contos, ensaios e de um romance é atualmente tema de uma inédita exposição no Petit Palais, em Paris. Continue lendo Oscar, born to be Wilde
Christiane Jatahy: primeiro nome brasileiro a dirigir um espetáculo na Comédie-Française

FERNANDO EICHENBERG / FOLHA DE SÃO PAULO
PARIS – Christiane Jatahy observa os despidos muros de sua provisória morada em Paris e confidencia, inconformada: “Preciso continuar construindo minhas estantes. Sempre tive um prazer enorme de ficar admirando uma biblioteca, adoro a ideia de paredes repletas de livros, é algo que me apazigua”. Nascida em 1968, ela viveu a primeira parte de sua infância carioca de forma bastante solitária, imersa em numerosas leituras que estimularam sua imaginação e forjaram sua “sensibilização e o olhar para o mundo”. No segundo ato, até os 14 anos, a família avolumou, e o aspecto coletivo se afirmou pelo teatro. Com tios, primos e outros parentes, encenava peças para serem apresentadas nas celebrações familiares, em aniversários ou festejos natalinos. Na juventude, veio a descoberta da filosofia e do cinema, com sessões ininterruptas em cineclubes das 14h às 22h. Adulta, passou a criar no Brasil seus próprios espaços cênicos, mas, principalmente, a quebrar barreiras. Hoje, aos 48 anos, impõe-se com seus singulares espetáculos teatrais nos palcos da Europa, e se prepara para conquistar os Estados Unidos. Continue lendo Christiane Jatahy: primeiro nome brasileiro a dirigir um espetáculo na Comédie-Française
Richard Avedon e a França: uma história de amor e de imagens

FERNANDO EICHENBERG
PARIS – “Foi por terror que me tornei um artista. Tudo o que quando criança, e mesmo adulto, não conseguia controlar – o tempo, o movimento, os outros, seus apetites, os meus -, podia captar por meio da minha máquina fotográfica. Esta caixa preta se tornou minha cúmplice, minha co-inspiradora”. O célebre fotógrafo americano Richard Avedon (1923-2004) ganhou de presente sua primeira Rolleiflex aos dez anos de idade, e fez da fotografia sua arte e sua profissão. A Biblioteca Nacional da França (Bnf) inaugurou na semana passada uma bela exposição sobre a intensa relação do artista com a França, com cerca de 200 imagens. Continue lendo Richard Avedon e a França: uma história de amor e de imagens
Louvre renovado prepara novas exposições e enfrenta a ameaça terrorista na França

FERNANDO EICHENBERG / O GLOBO
PARIS — O Museu do Louvre, o primeiro do mundo em termos de frequência, deverá perder até cerca de 2 milhões de visitantes este ano, o equivalente a mais de 20% do total de seu atual público. A queda, estimada pelo presidente da célebre instituição francesa, Jean-Luc Martinez, 52 anos, é creditada principalmente aos efeitos colaterais dos recentes atentados e da constante ameaça terrorista na França. Para conter este decréscimo, além de reforçar a segurança local, o museu intensificou as ações de divulgação de sua imagem no exterior. Foi lançado, inclusive, o projeto de uma grande exposição no Rio e em São Paulo durante os últimos Jogos Olímpicos, mas, apesar dos esforços, sem alcançar concretização. Os brasileiros são, hoje, a quarta nacionalidade estrangeira de maior frequentação do museu, atrás dos italianos, chineses e, no topo, os americanos. A média de tempo de visita do público brasileiro, de 3h10min de duração, está, inclusive, acima da média geral, de 2h42min. Continue lendo Louvre renovado prepara novas exposições e enfrenta a ameaça terrorista na França
Mitterrand: cartas para Anne, o amor clandestino

FERNANDO EICHENBERG/ ZERO HORA
PARIS – “Amo minhas mãos que acariciaram teu corpo, amo meus lábios que beberam em ti. Amo teu corpo, tua alegria que se derrama em mim quando sinto tua boca, a possessão que me queima de todos os fogos do mundo, o jorro de meu sangue dentro de ti, teu prazer que surge do vulcão de nossos corpos, labaredas no espaço, abrasamento”. A incandescente e passional declaração é trecho de uma carta escrita em julho de 1970, de François para Anne. Ele é François Mitterrand (1916-1996), presidente da França de 1981 a 1995. Ela é Anne Pingeot, seu amor clandestino por mais de 30 anos. O grande amor de sua vida. Continue lendo Mitterrand: cartas para Anne, o amor clandestino
Hergé, criador de Tintim, invade o Grand Palais

FERNANDO EICHENBERG / ZERO HORA
PARIS – Exatos trinta anos depois que o italiano Hugo Pratt, criador do memorável Corto Maltese, foi acolhido com uma exposição no prestigioso Grand Palais, a história em quadrinhos (HQ) é novamente celebrada nos nobres espaços do museu parisiense. Desta vez, o homenageado é o belga Hergé (1907-1983), genitor em 1929 do intrépido repórter aventureiro Tintim e seu inseparável cão Milu, além do Capitão Haddock, da cantora de ópera Bianca Castafiore, do professor Girassol e dos detetives Dupond e Dupont, protagonistas de um total de 24 álbuns de sucesso planetário. Continue lendo Hergé, criador de Tintim, invade o Grand Palais
Os sonhos lúcidos do surrealista René Magritte

FERNANDO EICHENBERG/ ZERO HORA
PARIS – “Abusa-se da palavra ‘sonho’ em relação a minha pintura”, queixou-se certa vez o artista belga René Magritte (1898-1967), considerado como um dos expoentes do surrealismo. O célebre pintor e suas nuvens, chapéus, cortinas, maçãs, velas, cachimbos, corpos fragmentados, personagens ou pássaros – em suas mais variadas combinações – invadiram os espaços do Centro Pompidou, em uma ambiciosa exposição parisiense neste início de outono europeu. Magritte, a traição das imagens reúne uma centena de telas, desenhos e documentos de arquivos, sem, no entanto, se reivindicar como retrospectiva do pintor. Continue lendo Os sonhos lúcidos do surrealista René Magritte
80 anos: um joyeux anniversaire, Verissimo

FERNANDO EICHENBERG/ ZERO HORA
PARIS – Quando ainda vivia em Porto Alegre, certa vez recebi Luis Fernando Verissimo e sua inseparável Lúcia para jantar em minha casa. Na época, morava num apartamento na rua Filadélfia, em um terceiro andar sem elevador. Ao me mudar para Paris, meu status subiu: desembarquei em um sexto andar sem elevador. Na calçada, diante da porta de meu prédio parisiense, Verissimo olhou para o alto, colocou a mão sobre meu ombro, e ainda com a mirada nos céus, confidenciou: “Acho que a minha amizade contigo só vai até o terceiro andar”. Continue lendo 80 anos: um joyeux anniversaire, Verissimo
Monique Lévi-Strauss: 90 anos de vida e muitas histórias para contar

FERNANDO EICHENBERG / SERAFINA – FOLHA DE S. PAULO
PARIS – A sala principal do apartamento no prédio de número 2 da rua des Marronniers é iluminada por uma ampla janela situada na diagonal de uma longa e estreita mesa de madeira bruta, de tonalidade escura. “Ali meu marido trabalhava todos os dias”, aponta a anfitriã, acomodada no canto do sofá, em uma cinzenta manhã parisiense. “Você ouve o silêncio?”, indaga, poeticamente. “Aqui estamos num bunker – explica ela. É uma peça fortificada. Meu marido fez construir paredes reforçadas por tudo, para ter silêncio, algo imprescindível para ele”. Seu marido, citação constante em suas frases, era o célebre pensador, antropólogo e etnólogo francês Claude Lévi-Strauss, falecido em 2009 neste mesmo endereço, aos 100 anos de idade. Monique Lévi-Strauss, 90 anos – nascida em 5 de março de 1926, em Paris -, recebeu a Serafina em sua residência para conversar sobre um livro que ela escreveu: “Une enfance dans la gueule du loup” (Uma infância na boca do lobo, ed. Seuil), relato autobiográfico de uma experiência incomum de sua pré-juventude, na Segunda Guerra Mundial, elogiado pela crítica francesa. Mas não deixou de evocar seu cotidiano e sua história de amor com o autor de “Tristes Trópicos” (1955) – considerada como uma das obras capitais do século XX -, e também um dos fundadores da Universidade de São Paulo (USP). “Não foi amor à primeira vista!”, garante ela, com humor e jeito adolescente, exibindo uma vitalidade que desafia sua longevidade. Continue lendo Monique Lévi-Strauss: 90 anos de vida e muitas histórias para contar
Maria Ribeiro e Matilde Campilho: uma conversa entre a cronista e a poeta

FERNANDO EICHENBERG / O GLOBO
LISBOA – Uma é carioca, atriz, documentarista e cronista, 40 anos de vida, assume sua vaidade, as redes sociais, tem medo de avião, e gosta de inverno. A outra é portuguesa, poeta, 33 anos, evita a exposição, não tem Instagram, é andarilha, e gosta de verão. A primeira, Maria Ribeiro, viajou do Rio a Lisboa para o lançamento da edição portuguesa de sua compilação de crônicas, “Trinta e Oito e Meio” (lançado no Brasil pela ed. Língua Geral), e finaliza o livro “40 Cartas e um Email que Nunca Mandei” (ed. Planeta), que será lançado no início do ano que vem. A segunda, Matilde Campilho, vive hoje em Lisboa após uma temporada de três anos no Rio – de 2010 a 2013 -, e está na quinta edição lusitana de sua primeira obra de poemas, “Jóquei” (ed. Tinta da China; no Brasil, o livro foi lançado pela ed. 34). Além das diferenças de temperamento, as duas mantêm uma nítida convergência de interesse: a escrita. O Globo reuniu as duas escritoras em Lisboa para uma descontraída conversa nestes tempos de crescentes intercâmbios literários luso-brasileiros. Prova disso é que elas voltarão a se encontrar em novembro, quando Matilde Campilho mediará na cidade do Porto o debate do projeto “Você é o que lê”, que além de Maria Ribeiro conta ainda com Xico Sá e Gregório Duvivier. Continue lendo Maria Ribeiro e Matilde Campilho: uma conversa entre a cronista e a poeta
Renaud Lavillenie: após as vaias, os aplausos em casa
FERNANDO EICHENBERG/ O GLOBO
PARIS – Ovações, aplausos e um salto de 5m93 que lhe garantiu o primeiro lugar na etapa da Liga Diamante de Atletismo realizada no sábado à noite em Paris. Era tudo o que o atleta da casa, o francês Renaud Lavillenie, desejava para esquecer as vaias do público brasileiro e o segundo lugar do pódio na prova de salto com vara nos Jogos Olímpicos do Rio. Celebrado efusivamente pelas tribunas do Stade de France desde que seu nome foi anunciado ao microfone ao adentrar no estádio, Lavillenie superou o americano Sam Kendricks e o checo Jan Kudlicka. O brasileiro Thiago Braz, campeão olímpico no Brasil (6m03) não competiu na capital francesa, mas reencontrará o rival francês no meeting de Zurique, em 1° de setembro. Continue lendo Renaud Lavillenie: após as vaias, os aplausos em casa
o fenômeno da Rentrée littéraire na frança

FERNANDO EICHENBERG/ ZERO HORA
PARIS – O mês de setembro assinala o começo do outono na Europa. É o verdadeiro início do ano no continente depois das festejadas férias de verão. Janeiro é januarius, mês do deus Janus, representado por duas faces coladas e opostas, uma mirando para o passado, e a outra, na direção do futuro. Mas é no nono mês do calendário que as tradicionais agendas vendem como baguette quente, e as revistas exibem os mais previsíveis artigos sobre “as resoluções para o novo ano”. Depois do dolce far niente de agosto, o estresse logo se instala nos subterrâneos do metrô, novamente tumultuados, e nos semblantes de motoristas impacientes em meio aos frequentes engarrafamentos. Os ministros da República retornam ao debate político bronzeados pelo sol estival, as crianças se alvoroçam nos portões das escolas na volta às aulas, e a vida cotidiana, cultural e gastronômica retoma seu curso, já com as matizes de outono. O setembro francês é o março brasileiro. É o ano que (re)começa. Continue lendo o fenômeno da Rentrée littéraire na frança
Samar Yazbek: o exílio e a vitória da morte na Síria
Michel Butor (1926-2016): “célebre desconhecido”

FERNANDO EICHENBERG
PARIS – Michel Butor vivia recluso em meio a suas paredes abarrotadas de livros em sua casa na localidade francesa de Lucinges, próxima à frontreira suíça. O lar foi batizado de “À l’écart” (à parte), um pouco à maneira de sua presença na paisagem literária e intelectual francesa. Inclassificável, o prolixo escritor, pensador, ensaísta, poeta e viajante morreu nesta quarta-feira, aos 89 anos, deixando um vasta e eclética obra. É ele um dos principais expoentes do movimento literário “Nouveu roman” – com “La Modification” (1957) – , ao lado de nomes como Alain Robbe-Grillet, Claude Simon e Nathalie Sarraute. Mas é também um poeta assumido e autor de numerosos ensaios sobre literatura, arte, pintura, música, fotografia ou viagens. “Se diz seguido de mim que sou um célebre desconhecido”, comentou certa vez. Continue lendo Michel Butor (1926-2016): “célebre desconhecido”
Biquíni x burkini

FERNANDO EICHENBERG/ ZERO HORA
PARIS – O verão em que a França celebra os 70 anos da criação do biquíni ficará marcado por um outro traje de banho, que poderia ser definido como sua antítese. Neste final da temporada estival europeia, todas as atenções se voltaram para o burkini, vestuário de praia islâmico que deixa visível apenas o rosto, as mãos e os pés, e alvo de polêmica nos últimos dias por sua interdição decretada em várias praias francesas. O biquíni, como se sabe, fez sua primeira aparição na capital francesa em 5 de julho de 1946, na piscina Molitor, pelas mãos de Louis Réard – engenheiro mecânico que administrava a loja de lingeries de sua mãe –, e vestido pela dançarina Micheline Bernardini – conhecida por suas performances desnudas na casa de espetáculos Casino de Paris. Já a invenção do burkini é creditada à australiana de origem libanesa Aheda Zanetti, que conta ter parido a ideia em 2004, em Sydney, ao ver sua sobrinha sofrendo ao praticar esporte coberta por um longo véu hijab. Continue lendo Biquíni x burkini
As vaias da polêmica
FERNANDO EICHENBERG/ ZERO HORA
PARIS – As vaias do público brasileiro ao atleta francês Renaud Lavillenie na prova de salto com vara chegaram audíveis aqui na França, provocando ampla repercussão na mídia nacional. Mas além da reação da torcida no Rio, a reação do próprio francês, derrotado na reta final pelo brasileiro e novo recordista olímpico Thiago Braz, ecoou do outro lado do Atlântico. Lavillenie, medalha de ouro na modalidade em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres, esperava repetir o feito no Rio, e não poupou palavras para descarregar sua frustração com a atitude da audiência nas tribunas olímpicas do Engenhão. Continue lendo As vaias da polêmica
Michel Lallement: a utopia do “faça você mesmo”

FERNANDO EICHENBERG – ILUSTRíSSIMA/ FOLHA DE S.PAULO
PARIS – O século 21 marcará o início do fim do modelo dominante da sociedade assalariada e a afirmação crescente da “utopia concreta” de organizações coletivas sustentadas na autonomia, na solidariedade e no prazer do trabalho? Impregnado desta interrogação, o francês Michel Lallement, especialista em sociologia do trabalho e do emprego, passou um ano embebido na chamada comunidade hacker americana Noisebridge, instalada na baía de São Francisco. Sua vivência como membro do grupo, no período 2011-2012, resultou na recente publicação do livro “L’âge du faire” (A idade do fazer, ed. Seuil). Continue lendo Michel Lallement: a utopia do “faça você mesmo”
Agostar* em Paris

FERNANDO EICHENBERG
PARIS – “Não encontrar o caminho em uma cidade não quer dizer muito. Mas perder-se numa cidade, como nos perdemos numa floresta, exige toda uma prática”, escreveu o filósofo alemão Walter Benjamin (1892-1940). Perder-se nos caminhos de Paris no estival mês de agosto exige uma prática singular, pois a capital francesa adota contornos de cidade fantasma. Em determinadas horas do dia, se pode flanar em meio a grandes avenidas sem vislumbrar um carro sequer no horizonte. Errando por certos bairros, a impressão é de que a cidade foi evacuada por alguma ameaça de ataque bacteriológico e só você não foi avisado. Continue lendo Agostar* em Paris
Entrevista na RFI
Entrevista em Paris a Gabriel Brust, da RFI, sobre o “Entre Aspas 2”.
Um encontro em Budapeste: Peter Esterházy (1950-2016)

FERNANDO EICHENBERG
PARIS – Em meio aos trágicos atentados de Nice, uma outra morte me pegou de surpresa, em outros lados da Europa, na cidade de Budapeste. Em 14 de julho último, o escritor húngaro Peter Esterházy, 66 anos, sucumbiu a sua luta contra o câncer, combate evocado em seu livro lançado há cerca de um mês, “Diário Íntimo do Pâncreas”. Nos encontramos para uma entrevista na capital húngara no gelado novembro de 2008. Continue lendo Um encontro em Budapeste: Peter Esterházy (1950-2016)
Nice: “Horrível, horrível”

“Foi horrível, horrível, horrível”. Era só o que a brasileira Denise Barros, 37 anos, conseguia repetir após testemunhar a chacina provocada pelo ataque do caminhão em Nice, durante o espetáculo de fogos de artifício do 14 de julho, a data nacional da França. Maranhense, há dez anos na França, ela estava em Nice com o namorado francês para passar o feriado do 14 de julho, a data nacional da queda da Bastilha. Continue lendo Nice: “Horrível, horrível”




