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Anne Hidalgo e a ameaça terrorista: “Não se deve ter medo de vir a Paris”

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FERNANDO EICHENBERG/ O GLOBO

PARIS – Fincado no coração da capital francesa, o chamado Hôtel de Ville acolhe desde 1357 a administração municipal de Paris, mas o prédio atual foi edificado no fim do século 19, após um incêndio ter reduzido a cinzas as antigas instalações. O vasto e belo gabinete da prefeitura de Paris é hoje ocupado pela primeira vez por uma mulher. Espanhola de nascimento e francesa por adoção, Anne Hidalgo, de 57 anos, se elegeu para o cargo em 2014 disposta a sacudir com seu forte temperamento velhos hábitos da Cidade Luz — sem receio de criar polêmicas, como tem demonstrado. Além de tratar de problemas como a redução da poluição dos carros, a prefeita abraçou a candidatura de Paris como sede dos Jogos Olímpicos de 2024. À frente de uma delegação própria, viajará ao Rio no período das competições, quando também deverá ser eleita sucessora do prefeito Eduardo Paes na presidência do C40, grupo de mais de 80 cidades do mundo no combate às mudanças climáticas.

Leia a entrevista em O Globo

Polêmica racista

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A Eurocopa 2016 começa sob o temor da ameaça terrorista na França, mas também tentando apaziguar a polêmica surgida no país em torno de denúncias de racismo na seleção nacional.

A controvérsia foi deflagrada pelo ex-jogador Eric Cantona, ao acusar o treinador da equipe francesa, Didier Deschamps, de discriminação racial por não ter convocado Karim Benzema e Ben Arfa por causa das origens magrebinas dos dois jogadores.

– Ele, Deschamps, tem um nome muito francês. Aliás, talvez seja o único em nosso país a ter um verdadeiro nome francês. Ninguém, na sua família, se misturou com qualquer outro. Como os mórmons nos Estados Unidos. Os dois (Benzema e Ben Arfa) têm origens norte-africanas. Portanto, o debate está aberto – anunciou Cantona.

Para filósofo francês, ataque em Paris expôs limites da laicidade republicana

MICHEL MAFFESOLI, SOCIOLOGUE, PARIS, LE 10 AVRIL 2014.

FERNANDO EICHENBERG / FOLHA DE S. PAULO

PARIS – O pensador Michel Maffesoli, reconhecido estudioso da pós-modernidade, credita grande parte dos conflitos atuais na sociedade francesa a uma inabilidade em acolher o retorno do sagrado e do religioso, que na falta de espaços de expressão gera desvios perversos e favorece a sedução de jovens pelo islamismo radical.


Na sua opinião, a laicidade francesa não soube integrar o religioso de forma harmônica e em “doses homeopáticas”, segundo sua própria metáfora.


Para ele, que lançou neste mês, em coautoria com Hélène Strohl, o ensaio “La France Étroite – face au intégrisme laïc, l’idéal communitaire” (“a França estreita – diante do integrismo laico, o ideal comunitário”, em tradução livre), a França vive hoje um delicado momento de mutação, rumo a uma sociedade concebida como um mosaico de culturas, em detrimento da República “una e indivisível” dos tempos modernos.