FERNANDO EICHENBERG
PARIS – “Foi por terror que me tornei um artista. Tudo o que quando criança, e mesmo adulto, não conseguia controlar – o tempo, o movimento, os outros, seus apetites, os meus -, podia captar por meio da minha máquina fotográfica. Esta caixa preta se tornou minha cúmplice, minha co-inspiradora”. O célebre fotógrafo americano Richard Avedon (1923-2004) ganhou de presente sua primeira Rolleiflex aos dez anos de idade, e fez da fotografia sua arte e sua profissão. A Biblioteca Nacional da França (Bnf) inaugurou na semana passada uma bela exposição sobre a intensa relação do artista com a França, com cerca de 200 imagens.
Avedon desembarcou pela primeira vez em Paris em 1947, com pouco mais de 20 anos de idade, enviado pela revista “Harper’s Bazaar”, pela qual havia sido recém-contratado. A capital francesa nunca mais saiu de sua vida e, principalmente, do foco das lentes de suas câmeras. “Fotografei uma Paris à la Lubitsch, uma Paris que não existia. E chegava num momento de minha vida em que tudo começava, na idade em que se lê pela primeira vez Proust e Sartre, em que se prova sua primeira trufa”, rememorou, certa vez em uma entrevista, sua estreia na Cidade Luz.
Há, obviamente, a célebre imagem da modelo Dovima em um elegante vestido de Yves Saint Laurent, sedutora entre dois elefantes, imortalizada no Cirque d’Hiver, em Paris, em 1955. Mas também a bela e feliz Audrey Hepburn entre Mel Ferrer e Buster Keaton, na traseira de um ônibus em plena capital francesa. E ainda os retratos de Catherine Deneuve, Marguerite Duras, François Truffaut, Jean Genet, Jeanne Moreau, Coco Chanel, Isabelle Adjani, Daniel Cohn-Bendit ou Gérard Depardieu nu em pose do pensador de Rodin.
Sobre seus singulares portraits, Avedon contrapôs todas a teorizações técnicas e psicológicas com uma simple tirada: “Todas as fotos são exatas, nenhuma é verdadeira”.
“A França de Avedon: Velho Mundo, New Look” estará aberta a visitação até 26 de fevereiro de 2017.